Última mesa redonda debate a construção do conhecimento em Desenvolvimento Regional

A quarta e última mesa-redonda do Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional, na tarde desta sexta-feira, 11, teve como tema “Construção de Conhecimento em Desenvolvimento Regional”. As apresentações couberam aos professores Rainer Randolph, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Virginia Elisabeta Etges, coordenadora da Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Unisc. Mediados pelo professor Silvio Cezar Arend, os docentes falaram durante quase duas horas no anfiteatro do prédio 18 da Unisc.

Integrante do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da UFRJ, Randolph centrou sua apresentação a partir do ponto de vista sobre desenvolvimento do professor Carlos Brandão.  Segundo o docente da universidade fluminense, o tema em discussão remete à tríade formada por desenvolvimento, planejamento e política. Para pensar em desenvolvimento regional, ele considera fundamental unir esses três momentos. “Não basta pensar o desenvolvimento só no planejamento. O planejamento serve com intermediação para a política de Estado, mas a política não é limitada ao Estado”, destacou.

Randolph fez uma crítica à proposta, que surgiu durante os debates pela manhã do seminário, de que é preciso criar um ministério do desenvolvimento regional. O professor titular aposentado da UFRJ afirmou que nada adiantaria ter mais uma pasta para a área se os teóricos não reconhecerem que a sociedade brasileira é capitalista. “O grande desafio que vejo para nós (pesquisadores) é como vamos abordar o desenvolvimento, e grande parte dos conceitos ignora isso (o capitalismo)”, observou.

O palestrante lembrou uma definição de Brandão sobre o desenvolvimento voltado à população mais pobre, que exigiria mudanças profundas, “quase uma revolução”.

Avanço da geografia – Na segunda parte da mesa-redonda, a professora Virginia Etges abordou conceitos que dão sustentação ao debate sobre desenvolvimento regional, como espaço, região e território. As regiões são entendidas como expressões de formações socioespaciais particulares no território, a partir de processos sociais, políticos, econômicos, culturais e ambientais particulares. Essa diversidade regional, segundo Virginia, deve ser entendida como potencialidade para o desenvolvimento regional, ou seja, o fato das regiões serem diferentes entre si não é problema, uma vez que isso reflete o processo histórico de suas formações. O que precisa ser combatido é a desigualdade social que não se limita a uma ou outra região, e, no caso brasileiro, está presente em todo o território.

Ressaltou também a dimensão multiescalar, inerente ao processo de desenvolvimento regional, que requer o diálogo e a interação entre os diversas níveis de governo (municipal, estadual e federal) nas ações desenvolvidas no território. Concluiu afirmando que a dimensão territorial do desenvolvimento requer uma nova compreensão sobre sustentabilidade, em que a relação “sociedade x natureza” seja superada pela relação “sociedade e natureza”, para garantir a vida às futuras gerações no nosso planeta.

O Seminário sobre Desenvolvimento Regional da Unisc se encerrou com um relato dos trabalhos apresentados durante os três dias do encontro em Santa Cruz do Sul.

 

Texto: Marcos Fonseca

Fotos: Elisangela Rudiger Johann