Pesquisadores de México e Portugal defendem a superação de conflitos entre países ricos e pobres

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“Território é conflito. Nunca vão se separar. A questão é encontrar mecanismos de negociação”. Com esse entendimento sobre a necessidade de superar os conflitos entre países ricos e pobres, o pesquisador mexicano Rafael Echeverri Perico abriu a primeira mesa-redonda do VII Seminário Internacional de Desenvolvimento Regional da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), na tarde desta quarta-feira, 9. Ele integrou o debate ao lado de Sara Alexandre Domingues Araújo, de Portugal. A mediação foi do professor Marco Cadoná, do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Unisc.
Perico integra o Programa Iberoamericano de Cooperação em Gestão Territorial (Proterritorios), do México. A mesa-redonda tinha como tema “Ações Coletivas em Dinâmicas Regionais”. O foco do debate foi apresentar visões de dois professores estrangeiros sobre o conceito de território diante de um mundo globalizado.
Presente pela segunda vez no seminário da Unisc, Perico falou sobre as mudanças sociais que estão ocorrendo no mundo. Para o docente e pesquisador mexicano, que foi vice-ministro da Agricultura da Colômbia, essas transformações globais exigem mudanças que só ocorrerão quando houver mecanismos de negociação que superem as divergências entre os países. Tais políticas buscam permitir que as nações mais pobres possam se desenvolver sem perder suas raízes culturais.
Atualmente, a pressão neoliberal dos países desenvolvidos tende a ditar as regras da economia mundial. Para competir com as nações ricas, os países subdesenvolvidos devem aprender a “inovar”. Perico acredita que esse mecanismo de negociação passa por um pacto territorial, em que o território e a cultura das nações subdesenvolvidas sejam respeitados pelos países ricos. Essa é a função social da economia. Conforme o pesquisador, quanto mais empregos e mais renda, melhor a qualidade de vida.

 

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Hegemonia – Logo após Perico, a pesquisadora e professora Sara Araújo trouxe a experiência europeia sobre desenvolvimento regional para o evento em Santa Cruz do Sul. Integrante do Centro de Estudos Sociais e Núcleo de Estudos sobre Democracia, Cidadania e Direito da Universidade de Coimbra, Sara mostrou o trabalho do programa Alice, criado para aprofundar os debates sobre desenvolvimento.
A pesquisadora criticou a hegemonia do Norte sobre o Sul, isto é, dos países mais ricos sobre os mais pobres. O próprio termo “subdesenvolvido” foi cunhado pelo Norte para se referir às nações menos ricas do Globo. Para ela, é necessário haver uma horizontalidade nas discussões sobre justiça social.
“Não faltam alternativas no mundo, falta é um pensamento alternativo de alternativas”, disse a pesquisadora. Essas alternativas passam por levar em conta não apenas as teorias do mundo Ocidental, desprezando outros pensamentos. Sara citou o caso de Moçambique, em que os projetos de desenvolvimento projetados para o país africano esbarram na absoluta falta de infraestrutura local, como energia elétrica.
A mesa-redonda abriu os trabalhos da tarde do primeiro dia do Seminário Internacional, realizado no Anfiteatro do prédio 18 da Unisc. O seminário vai até esta sexta-feira, 9.

Texto: Marcos Fonseca

Fotos: Elisangela Rudiger Johann