Discussão aproxima a abordagem acadêmica e técnica sobre desenvolvimento

A mesa redonda da manhã de sexta-feira, 11, último dia do VII Seminário Internacional sobre o Desenvolvimento Regional, foi marcada pela aproximação feita entre uma abordagem acadêmica e outra técnica e governamental sobre o desenvolvimento.  A discussão foi feita pelo professor Domingos Fernando da Cunha Santos, do Instituto Politécnico de Castelo Branco (Portugal) e por Ronaldo Coutinho Garcia, Técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Santos, em sua fala sobre as implicações da economia do conhecimento e da globalização na prática de inovação na perspectiva de regiões periféricas, afirmou que o modelo competitivo predominante é o de estratégias de diferenciação que acabam por gerar vantagens na concorrência.  De acordo com ele, “é preciso mudar o padrão cultural, o modo como a comunidade se vê, para então prospectar o futuro”.

A apresentação do pesquisador foi ancorada no que ele denominou de TIBS (teoria de inovação de base territorial). Nesse contexto, afirma que o desafio é renovar o olhar e o entendimento que se tem sobre território. “É preciso promover a capacitação dos atores empresariais e institucionais”, disse Santos. E, com isso, renovar o sistema de governança, inclusive, defendeu, por meio de políticas de caráter experimental.

Fugindo da abordagem acadêmica e promovendo um debate mais técnico, com um olhar de quem atua no estado, Garcia foi contundente ao afirmar que “a problemática do desenvolvimento regional tem sido negligenciada pelo poder público”. Ao apresentar o trabalho do IPEA, Garcia promoveu uma discussão em relação à falta de planejamento do Estado, a qual critica. Para ele, que trabalha há mais de 30 anos no IPEA e nos últimos anos têm atuado no órgão que presta assessoria ao governo federal, os planejamentos devem ser orientados pelas particularidades regionais. “A falta de planejamento gera problemas para a região onde os projetos são executados”, menciona como exemplo, os de ordem social e ambiental referindo-se ao impacto gerado pela instalação de grandes hidrelétricas, por exemplo.

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Texto: Vanessa Costa

Fotos: Elisangela Rudiger Johann